sábado, 24 de dezembro de 2016

Alma Gêmea

Um dos maiores presentes que recebi neste ano foi conhecer o trabalho da autora Ana Ferrarezzi. A cada nova obra minha admiração por ela aumenta consideravelmente, tornando-se uma das minhas escritoras favoritas. Por este motivo, na véspera do natal, trago a resenha do livro “Alma Gêmea”, um dos meus favoritos, que certamente conquistará o coração de muitos leitores. Feliz Natal!


Lá, no meio da Floresta Amazônica, há uma tribo legendária – A Tribo Curupira. Joaquim acaba se deparando com um membro dessa tribo, em uma de suas expedições. Ele machuca seu pé, acaba sendo acolhido e se depara com o a planta sagrada capaz de transportar algo pelo tempo e espaço. Após muito esforço, convence o pajé a lhe dar uma amostra dessa planta. O pajé o alerta sobre o risco. Joaquim, aceita a responsabilidade. Com o tempo, Joaquim descobre o verdadeiro sentido das palavras desse sábio Pajé. Letícia encontra uma erva com cheiro de canela no seu Consultório de Psicologia. Decide tomá-la. Cai no sono. Então acorda em um corpo diferente em 1906. Ela não sabe como veio parar nesse corpo, nem tampouco entende como veio parar na França, testemunhando o vôo de consagração de Santos Dumont. Mas as circunstâncias a leva até Joaquim; o homem de seus sonhos. É uma bela história sobre o poder do encontro entre duas almas gêmeas, que vivem em épocas diferentes, que rompem a barreira do improvável para perceber que o sentimento que os une jamais pode ser quebrado. Venha explorar os segredos e mistérios do Alma Gêmea.


Leticia é uma psicóloga iniciando sua carreira profissional. Ainda tem poucos pacientes, mas sua profissão e seu consultório não são suas maiores preocupações.
Ainda muito jovem ela se casou com Glauber, um cardiologista promissor. Embora essa união lhe garanta certa estabilidade financeira, também é o foco de toda sua infelicidade. Mesmo casando sem amor, ela jamais imaginaria o inferno que os seus dias se transformariam. Glauber é sempre distante, não faz questão de passar um tempo com ela, preferindo sair do trabalho e se embriagar a voltar para sua esposa.

“Hoje estava tão certa quanto seu conhecimento e experiência permitia, que o amor era um sentimento supervalorizado.”

Já cansada dessa vida, Letícia começa a planejar seu futuro longe do homem que nunca amou. Ela conta com o apoio fervoroso de sua amiga Gisele para abandonar o marido e recomeçar.
Entre uma sessão e outra ela encontra um pacote com uma erva desconhecida com cheiro de canela. Consumindo-a cai em um sono pesado e se transporta para o ano de 1906, na França.
No inicio ela acredita ser um sonho absurdamente realista, mas como sempre volta para o mesmo lugar cada vez que dorme, entende que sua alma está viajando no tempo. Assim ela passa a viver a vida de Clarisse, uma garota em busca de justiça, que esta envolta em um perigoso plano para vingar a morte de seus pais.
Nessa viagem ela conhece Joaquim, um homem lindo, inteligente e espirituoso que concorda em ajudá-la em seus planos.
Nessa trajetória eles encontram diversos perigos em uma estrada de traições e mortes. Mas também encontram algo que não esperavam: o amor.
Diante disso eles terão de romper as barreiras do tempo e derrotar seus inimigos para viver esta linda história de amor.


Estou completamente apaixonada por este livro.
Amo histórias que envolvem viagens no tempo. Narrado em terceira pessoa, este romance traz ate o leitor uma história leve e divertida, recheada de mistérios e perigos. Onde cada passo é incerto e a única certeza é o amor de Joaquim e Letícia. Ainda conta com um embasamento em lendas brasileiras, o que torna a narrativa muito mais especial, resgatando nosso folclore da maneira mais encantadora possível.
Os personagens são cativantes e envolventes. Leticia é uma mulher interessante. Casou sem amor, forçada por uma situação e nunca encontrou um resquício de felicidade ao lado do seu marido. Glauber é um homem frio que não soube valorizar tudo que a esposa fez por ele. Ela é uma mulher inteligente, bonita e está disposta a se libertar dessa união para seguir em frente, talvez encontrar o amor verdadeiro e a tão sonhada felicidade.

“Seu marido era do tipo que dá a impressão de que é um livro aberto quando, na verdade, com o convívio, descobrem-se camadas impermeáveis em sua vida.”

Como todas as viajantes do tempo, ela acaba protagonizando cenas hilárias no passado. O choque entre os costumes é sempre um empecilho para todas as mocinhas que viajam entre as décadas. Ao conhecer Joaquim ela finalmente encontra o amor, ainda que mais de 100 anos estejam entre eles.
Joaquim é um engenheiro que revitaliza casas, como hobbie se dedica à botânica. Lindo, inteligente e espirituoso, sua boa aparência já o colocou em alguns apuros. Como resistir aos seus olhos azuis?

“Ela queria dar uma bofetada no meio daquele sorriso perfeito de Joaquim, até o faria, se aquele patife não vivesse em seus sonhos.”

Leticia não ficou imune a eles, logo se viu apaixonada, mas sabia que estar ao lado de Joaquim seria quase impossível.
Ainda que Joaquim tenha uma vida libertina, ele acredita no amor verdadeiro. Encontrá-lo em Leticia enquanto sua alma habitava o corpo de Françoise não estava em seus planos. Ele se apaixonou pelo seu jeito, por sua personalidade. Quando descobriu que sua amada na verdade vivia no século XXI, ele lutou contra tudo e todos para reencontrá-la, mesmo tendo que enfrentar as barreiras do tempo para estar ao seu lado.
Os personagens secundários também encantam. Depois de Joaquim, meu preferido foi seu primo Fernando, um cafajeste encantador, divertido e irônico, que faz tudo que pode para garantir que Joaquim e Leticia se encontrem novamente, mesmo que isso coloque sua própria vida em perigo. Juntamente com Anabelle, irmã de Françoise, eles participam do plano de vingança contra os assassinos dos pais das jovens e também da missão de Joaquim para encontrar sua amada. Amigos leais que se dedicam integralmente em ajudá-lo.
Gisele é a melhor amiga de Leticia e está sempre por perto. É a maior incentivadora da sua separação e a acompanha até o final da trama.
Em meio a tantas adversidades o amor deles não diminui, muito pelo contrario, cresce mais a cada dia. Leticia sabe que não poderá ser feliz com outro homem, e Joaquim, que sempre quis encontrar o amor, vê em Leticia a única chance de vivê-lo.
Mesmo com todo o romance que envolve a história, existem os perigos. Alguém está em busca da erva e fará de tudo para consegui-la, não importando quantas vidas se percam para alcançar este fim.

“Sei o quão é difícil confrontar seus demônios. Eu sempre os confronto de uma forma ou de outra... No entanto, algo que aprendi na vida é que não dá para evitar esse confronto. Isso porque seus demônios estão aí, na sua frente, a encarando. Não há como os ignorar.”

A narrativa alterna entre os anos de 1906 e 2015, podemos observar o que cada um está vivendo, e também perceber que o passado e o presente são vividos ao mesmo tempo.
O livro é extremamente envolvente. Depois que comecei a leitura, não consegui mais parar. Joaquim e Fernando entraram para a minha listinha de personagens favoritos.
Incluir a lenda da tribo Curupira na história foi um grande diferencial. Lemos tanta coisas sobre a cultura estrangeira, que às vezes nosso próprio folclore fica esquecido e é de suma importância que ele seja relembrado. Nada melhor para isso que incluí-lo em um romance tão arrebatador.
Sou uma admiradora fervorosa do trabalho da autora e este livro virou o meu favorito. Amo este tema. Já havia me encantado com a série Perdida, da autora Carina Rissi, e Outlander, de Diana Gabaldon. Alma gêmea conseguiu me conquistar da mesma maneira, superando todas as minhas expectativas.  A escrita é leve e descontraída, marca registrada da autora, isso envolve o leitor de tal forma, que o tempo voa enquanto lemos. Fiquei encantada e apaixonada, torcendo sempre pelos personagens.
Simplesmente sensacional. Recomendo a todos que gostam de livros neste formato. Deem uma chance a Joaquim e aproveitem a viagem.

 “Meu pai sempre diz que um louco é, na verdade, uma pessoa normal que fala uma verdade na qual os outros não estão preparados para ouvir.”

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Título: Alma Gêmea
Autor: Ana Ferrarezzi
Editora: Autografia
Ano: 2016
Páginas: 295

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O inverno que não acabou e outros contos

A beleza e obscuridade do cotidiano são descritos nos contos deste livro. A resenha de hoje é sobre o livro “O inverno que não acabou e outros contos” do autor Adriano de Andrade.

Um homem lutando contra as suas – amargas – lembranças; um psicopata oculto perturbando sua vítima em um cenário obscuro; dois mundos distintos que seguem caminhos paralelos e quase se cruzam; um erotismo imaginário preenchido com sofrimento alheio; o sonho perdido de uma criança e o vício na vida de um gênio. Elementos que compõem as narrativas curtas deste livro; uma seleção de contos para colocar suas sensações à flor da pele. Em um universo que percorre diferentes cenários relacionados às aflições que cercam o indivíduo, O inverno que não acabou e outros contos revela a eterna alternância dos sentimentos que resumem a esperança e a descrença na atitude humana.



Esta obra é a tradução da vida humana, dos sentimentos que acompanham nossos dias, fatos que nos deparamos. Nela é possível observar a dinâmica dos relacionamentos amorosos e familiares, o desespero, a ganância e muitos outros.

“Coincidência ou não, era exatamente disso que eu precisava. Ser redescoberto. Ou me redescobrir. Tanto faz.”

Escrito de forma clara e agradável as situações mais comuns são retratadas, escavando as emoções humanas e expondo a forma como elas afetam as pessoas. O livro não é focado em polemizar, embora alguns assuntos tratados possam ser considerados polêmicos, mas sim nos momentos mais corriqueiros, tanto bons, como ruins.

“O que eu realmente queria era deixar meu passado em algum lugar, distante e guardado, para que ninguém mexesse nele, como se isso fosse possível.”

Violência doméstica, ciúmes, decepções, escuridão, pobreza, vícios, loucura, sedução, abandono, nostalgia, reencontros são alguns assuntos tratados nestas páginas.

“(...)As coisas são cíclicas, precisam sempre de renovação.”

A linguagem leve possibilita uma leitura diferente. Posso afirmar que de todos os livros de contos que já li este foi o que mais me cativou.
Atribuo isso ao equilíbrio entre humor e descontração para tratar de assuntos sérios, e mesmo nos contos mais sombrios, a linguagem ainda se sobressai, engrandecendo a experiência do leitor.
O autor soube mostrar todas as belezas do dia-a-dia que acabam se perdendo na correria diária. E também o quanto a mente humana pode ser sombria e assustadora em determinados momentos.

“Estranho como as coisas mudam de repente. Mas não dá mudar assim tão rápido.”

A vida corrida, quase sempre na busca pela materialidade, nos atinge com uma cegueira temporária seletiva. Enxergamos o que fazemos e vivemos, mas não o que tudo isso significa.

“Encontrou no mar um confidente de paciência inesgotável.”

Perdemos o tato de apreciar a obra de arte que é a nossa jornada na terra. Não deixamos tempo para observar a verdadeira beleza ao redor.

“A vida começa de forma mágica.”

E é isso que Adriano nos traz: que podemos tirar algo interessante desses momentos que passam despercebidos.

“Nenhum pesadelo é tão ruim que os olhos não o façam piorar.”

Os meus contos favoritos foram: Conversa de asfalto, que usa seres inanimados para ilustrar os ciclos da vida, e Roda de amigos, que fala sobre reencontros e aceitação. Sobre a importância de respeitar os semelhantes.

“As marcas que você carrega revelam o quanto você foi útil na vida de muita gente.”

A capa dá uma ideia de um livro sombrio, e embora alguns contos possam ser considerados perturbadores, não há apenas este formato, logo irá agradar um público mais vasto.

“As janelas batiam por conta de um vento inquieto e raivoso, disposto a varrer minhas memórias daquele lugar.”

Recomendo a leitura. Aproveitem a leveza e beleza dessa obra e reflitam sobre aquelas pequenas coisas que nos esquecemos de pensar no dia-a-dia, mas são extremamente importantes.

“Quer sentir felicidade amanhã, é só imaginar o que tá acontecendo hoje.”

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Título: O inverno que não acabou e outros contos
Autor: Adriano de Andrade
Editora: Novo Século
Ano: 2015
Páginas: 144

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Namorado de Aluguel


          Boa Dia povo! Venho postando pro além há um certo tempo... mas vamos lá! Bem como a lição que Namorado de Aluguel passa, não importa o número de visualizações ou likes aqui, o importante é que eu li e AMEI esse livro mais que fofo! :) kkk



Gia Montgomery é a típica garota popular de sua escola. Prestes a se formar, seu nome é reconhecido pela escola toda, não que ela soubesse do nome de seus próprios colegas. Uma imagem que construiu a muito custo e agora está ameaçada por Jules, uma garota que se infiltrou em seu grupo de amigas e parece fazer até o impossível para tirar Gia de seu posto.

O baile de formatura é a chance perfeita para Gia provar que não anda inventando Bradley, seu namorado universitário que devido à distância, mantêm raros encontros com Gia e ainda não fora apresentado às suas amigas. O que Gia não imaginava é que Bradley terminaria seu namoro justamente no estacionamento do baile, arruinando sua chance de mostrar a Jules que ele era real.

De uma hora para outra, Gia se vê em um beco sem saída. Como entrar desacompanhada em um baile, onde provavelmente seria coroada rainha? Seria o fim! Jules provaria que ela era uma mentirosa. Tudo estaria arruinado!

E então, a solução perfeita aparece. Enquanto ela implorava para que Bradley entrasse no baile com ela e deixasse para terminar no fim da festa, (sim, ela recorreu ao último grau de desespero) um garoto havia chegado ao estacionamento e aparentemente esperava alguém que estava no baile, já que lia um livro ali, dentro do carro; ele era o cara perfeito para se passar pelo Bradley, mesmo que fosse por poucas horas.

Sob o olhar desconfiado e especulativo de Jules, tudo termina mais ou menos da forma como Gia esperava. Uma contradição gritante, eu sei, mas para não se passar por mentirosa, ela acaba se enrolando em um amontoado de mentiras que parecem não ter fim, o que se multiplica quando a irmã do seu namorado de aluguel, que por sinal não simpatiza nada com ela, precisa que ela pague o favor a seu irmão e se passe por sua namorada na festa da ex.

Gia sempre foi muito superficial, o típico estilo de garota popular que tem uma vida bombada nas redes sociais, mas na realidade não passa de uma pessoa solitária em uma família de boa aparência.

"— Raramente encontramos profundidade quando a procuramos dentro de nós mesmos. A profundidade é encontrada no que podemos aprender com as pessoas e as coisas que nos cercam. Todo mundo, todas as coisas, têm uma história, Gia. Quando você conhece essas histórias, descobre experiências que a preenchem, expandem sua compreensão. Você acrescenta camadas à sua alma."

No momento em que ela encontra conforto nas pessoas mais improváveis, Gia inicia um resgate de sua própria imagem. Tentando ser uma pessoa melhor, ela percebe o mundo a seu redor e coisas que antes tinham extrema importância, parecem agora sem sentido algum. Os dias passam e ela se vê mais próxima de Hayden () e sua família, no mesmo tempo em que suas amigas vão se tonando mais e mais estranhas. Gia tem uma verdade a revelar e contar a verdade a suas amigas parece um grande desafio, mas é justamente quando tudo parece se ajeitar que o verdadeiro Bradley volta ameaçando estragar tudo.

Namorado de Aluguel é um livro leve e ao mesmo tempo profundo. Os dramas da adolescência refletem fielmente a realidade. A busca por prestígio social através de redes sociais é algo buscado permanentemente pelos jovens e a lição que ele passa sobre a aprovação ou não de tudo que fazemos e publicamos é incrível.

Extremamente FOFO! Namorado de Aluguel fala sobre amizade, maturidade e outros temas tão presentes na adolescência. Hayden é um garoto amado, lindo e fofíssimo. Amo livros que não se prendem a amenidades, os diálogos e as cenas são muito bem construídos e em momento algum a leitura se tornou monótona.


Eu gosto muito de livros com temas que tratam sobre convívio social e bullying. E o romance de Kasie West oferece justamente isso ao leitor, ao mesmo tempo em que entendemos certas ações, mesmo que muito sem noção dos personagens, percebemos o quanto é especial estar do outro lado, do lado dos “deslocados”, do lado dos que realmente vivem.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Campeões de Gaia

Uma fantasia capaz de fazer uma fã de romances, como eu, se render e viciar na história. Merece uma salva de palmas e muitos novos leitores. A resenha de hoje é sobre o primeiro livro da Trilogia dos Três Domínios,  “Campeões de Gaia”, do autor L.L. Stockler.


 “Que as estrelas iluminem o caminho.”

Há cerca de quatrocentos anos, Celo, deus-pai e senhor dos céus, teria designado uma família para governar toda Gaia e instaurar sua ordem divina. Sobre as cinzas de seus inimigos, os Draconem então construíram o maior e mais vasto império já visto, dominando a tudo e a todos, como lhes era de direito.
Quando seu pai morre trinta e cinco anos após a Rebelião de Krallik, Kayla percebe que não havia mais nada que a prendesse à pacata fazenda onde crescera no interior de Jardinsul. Ela estava livre para explorar o mundo, que até então conhecia apenas pelas páginas de livros, e gravar seu nome na História. Determinada sua partida, Trevor, seu leal amigo, não vê escolha se não segui-la e descobrir, junto dela, o seu próprio destino.
Entretanto, a dupla logo aprenderá que a realidade pode ser mais dura do que contavam as histórias, que sequelas de séculos de disputas podem ser fortes o bastante para pôr em xeque a paz imperial, e consigo a vida de todos os habitantes de Gaia.



Com a morte de seu pai, Kayla não vê sentido em continuar na pequena vila sem nome do interior da província de Jandirsul. Ela não tem mais família, nada a prende naquele lugar, a não ser seu melhor amigo, Trevor. Kayla tem uma sede impressionante de explorar o mundo, conhecer tudo aquilo que só viu nos livros, desvendar o oculto e marcar seu nome na história.
Trevor é feliz onde vive, com sua vidinha pacata e sua bela família. Ele poderia terminar seus dias ali, mesmo que não tenha sido esse o destino traçado para ele. Mas como pode ver Kayla partir? Como continuar em paz deixando sua melhor amiga se afastar, talvez para nunca mais voltar? Como aceitar que a deixou desbravar o mundo sem sua proteção?
Embora ali fosse um lugar feliz, Trevor sabia que teria que partir. Entrar nessa aventura com Kayla, enfrentar os perigos do mundo, e neste processo, descobrir quem ele realmente é.
Partindo, os dois amigos encontram muitas aventuras, tornam-se mercenários, enfrentam bandidos, duelam. Eles estão tendo a vida que sonharam, destemidos e corajosos, enfrentando todos os perigos para, um dia, serem lembrados.

“A vida não são flores, menina.”

Porém a vida no poderoso Império Draconem pode ser muito mais perigosa do que eles pensavam. E subitamente os jovens se veem envoltos em uma disputa de poder regada a sangue, violência e vingança. Esta é a grande chance dos dois escreverem seu nome na história de Gaia, mas antes disso, eles terão de lutar para permanecerem vivos.

“O mundo se estende diante de vocês, basta esticar a mão e pegá-lo.”


Uma aventura fantástica recheada de ação, perigos e traições. Campeões de Gaia é aquele livro que te prende e te leva para dentro da história, que te permite viver junto com Kayla e Trevor todas aquelas aventuras eletrizantes.
Ambientado no Império Draconem, podemos acompanhar como era a vida neste tempo fictício. Os valores da população, a rotina dos mercenários e aventureiros, as disputas por poder, o descontentamento do povo, as rebeliões e injustiças.
Kayla e Trevor viviam tranquilamente em uma pequena província e tinham a garantia de segurança naquele pequeno povoado. Trevor poderia passar anos assim, cuidando de suas terras, perto da sua família. Porém Kayla não pensava da mesma maneira. Sua família já havia partido e nada a segurava ali.
Ela queria conquistar o mundo, marcar seu nome na história, viver todas as aventuras que ela só tinha presenciado nos livros. Uma menina de personalidade forte. Muitas vezes suas escolhas e atitudes podem chocar o leitor. Ela é extremamente fria e calculista, faz aquilo que tem que fazer, seja partir da sua cidade natal ou tirar a vida de alguém. Ela não tem reflexões sentimentalistas, simplesmente faz o que acha que é correto. Esse jeito polêmico pode dividir opiniões, alguns leitores podem achá-la inconsequente, eu a achei genial. Amei a personagem, sua coragem e ironia, fazendo tudo conforme sua cabeça manda. Encarando os perigos sem medo, convicta de que tem força suficiente para vencê-los.

“Para ela, a morte era tão necessária à vida assim como a noite era ao dia. A morte é o destino dos vivos e ponto final.”

Trevor é o oposto de Kayla. Ele é aquele bom moço, responsável. Mesmo sendo feliz na sua terra, não aguenta ver Kayla partir sozinha e embarca nessa viagem com o intuito de protegê-la, somente isso já diz muito sobre seu caráter.
Um garoto bonzinho que vive diante da moral e dos bons princípios, comprometido com sua honra, fazendo sempre o que é certo. Não consegue realizar algo sem pensar em como isso afetaria aos que estão ao seu redor.
A amizade entre os dois é linda e verdadeira. Um está preparado para dar a vida pelo outro. As personalidades extremamente diferentes se completam e os tornam inseparáveis. Mesmo enfrentando grandes perigos, juntos eles têm força para sobreviver.

A jornada desses dois amigos é intensa. A cada dia eles encontram dificuldades maiores, aventuras mais perigosas. Tornam-se mercenários e aceitam trabalhos que a maioria rejeitaria, lutam contra bandidos, rebeldes, seres místicos. Além de toda a ganancia por poder que eles presenciam. O que as pessoas fazem nessa busca cega por domínio e riqueza no livro é tão cruel. O povo sofre tanto e o mais triste de tudo isso é ver que a nossa realidade é semelhante: repleta de governantes corruptos buscando uma melhor qualidade de vida e massacrando a população para alcançar este fim.

“Eles mentem para si próprios. Negam a realidade que se estende à sua frente. Negam a revolta que queima ao seu redor. Negam a desigualdade fomentada ao seu lado! Negam que são os verdadeiros causadores deste estigma que tanto envenena e destrói a sociedade! Preferem apontar o dedo e jogar a culpa para o primeiro coitado que encontrarem do que encarar os fatos.”

Uma leitura sensacional. Não sou a maior fã de fantasia, mas este livro conquistou meu coração, entrou para os meus favoritos e me fez ver com outros olhos este gênero.
Tenho certeza que L.L. Stockler andou tomando chá das cinco com George R. R. Martin, porque aprendeu direitinho com ele a melhor forma de conquistar, destruir e reconquistar o coração do leitor.
Recomendo a leitura aos fãs de fantasia e também aos iniciantes nestes universos fantásticos. Certamente as aventuras de Kayla e Trevor serão uma iniciação perfeita para vocês, arrebatando corações e adquirindo novos fãs. Ansiosíssima pelo próximo volume da trilogia! *-*

“Serão o suficiente quando puderem derrotar cem inimigos sem derramar uma gota de suor, quando moverem montanhas com as mãos e se tornarem verdadeiros campeões de Gaia. Só então serão o suficiente para todos os perigos que a vida é capaz de lhes impor.”

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“Mais vale uma vida curta e boa do que uma longa e entediante.”

“Sorte é para os fracos.”

 “Acho que você tem o direito de se portar como um babaca quando se é um príncipe.”

“-A corrupção está longe de ser uma questão de tempo (...). Apenas diz respeito ao preço, basta pagar-lhes a moeda certa.”

“O direito é uma ficção criada pelos governantes para justificar o próprio governo.”



Título: Campeões de Gaia
Autor: L.L. Stockler
Editora: Novo Século
Ano: 2016
Páginas: 318

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Por Lugares Incríveis

E essa resenha gente? Não tem como definir esse livro numa resenha! Mas com certeza é um dos livros mais ricos em quotes e pensamentos vivos que já li. Jennifer Niven entrou para as autoras favoritas, e sim, leio tudo que ela escrever. 



Theodore Finch está desperto novamente. Após dias de blecautes onde mal se lembra do que aconteceu, em especial as datas festivas do último fim de ano, ele acorda e não sabe exatamente por quantos dias ficará assim. E enquanto espera os dias de escuridão chegarem novamente, ele se pergunta todos os dias: "Hoje é um bom dia para morrer?" É quando se vê a seis metros de altura, prestes a pular da torre do sino da escola, que ele descobre que não está sozinho.

Violet Markey é o tipo de garota que leva uma vida perfeita, mas tudo acaba no dia que sua irmã, Eleanor, é vítima de um acidente de carro que apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada, ela se afasta de tudo e de todos e sem saber como, vê-se também no alto da torre do sino da escola, prestes a pular. Apavorada quando as pessoas lá embaixo começam a notá-la, Finch a ajuda a sair dali sã e salva, no que mais tarde fica conhecido como o dia em que Violet Markey salvou a vida de Theodore Aberração, o aluno mais suicida de todos os tempos da escola de Bartlett.

Quando o professor de geografia passa um trabalho para a turma no qual eles devem visitar lugares de Indiana, Violet se vê encurralada quando Finch, diante de toda a turma, a convida para ser sua dupla na tarefa. Sem mais desculpas sobre não estar preparada, ela e Finch se aventuram por lugares onde nunca pensaram visitar.

“[...]tenho no carro um mapa que praticamente pede pra ser usado, e existem lugares que precisam ser vistos. Talvez ninguém nunca vá até lá nem valorize esses lugares nem se dê o trabalho de pensar o quanto são importantes, mas talvez até o menor deles tenha algum significado. Se não tiverem pros outros, talvez tenham pra gente. No mínimo, quando a gente for embora, saberemos que pelo menos os visitamos. Então vamos. Vamos até lá. Vamos fazer alguma coisa. Vamos sair do parapeito.”

Inevitavelmente, essa improvável amizade se transforma em um amor verdadeiro e único. Finch mostra a Violet uma forma nova de ver a vida e aos poucos ela vai recuperando a esperança de viver e ser feliz.

Sinceramente, Violet, não sei por que a galera não gosta de mim. Mentira. Quer dizer, eu sei e não sei. Sempre fui diferente, mas pra mim diferente é normal.”

Como ser o que lhe dá na telha se sempre está sendo julgado pelos olhos da sociedade? Por Lugares Incríveis é mais um daqueles livros que me fazem refletir sobre os relacionamentos sociais. As pessoas estão se tornando uma massa homogênea, onde quem é “diferente” deve encarar sem medo os rótulos atribuídos às suas características ou sofrer as consequências. Finch não se importa com isso, ele escolhe uma personalidade diferente a cada semana, “Finch Canalha, Finch Largado, Finch Fodão, Finch anos 80.” Ele não se importa, mas infelizmente compreendemos todo o impacto do que é uma pessoa ser tachada como diferente.

“Quero me afastar do estigma que todos eles sentem só porque têm uma doença no cérebro e não, digamos, no pulmão ou no sangue. Quero me afastar de todos os rótulos. “Tenho TOC”, “Tenho depressão”, “Eu me corto”, eles dizem, como se essas coisas os definissem. Tem um coitado que tem déficit de atenção, é obsessivo-compulsivo, tem transtorno de personalidade limítrofe, é bipolar e, ainda por cima, tem um tipo de transtorno de ansiedade. Eu nem sei o que é transtorno de personalidade limítrofe. Sou o único que é só Theodore Finch.”

A perspectiva de Finch me trouxe a realidade da tristeza profunda. Nunca entendi os motivos dessa “doença” a que chamam depressão. Acreditava que a cura estava em ajudar a si próprio, procurar a felicidade no dia a dia e viver. Mas isso se mostrou inútil na história de Jennifer Niven, Finch pode até  assumir as personalidades desejadas e não se importar com os rótulos que ganha, mas lá no fundo, algo sempre está falando mais alto.

“Ao andar pelos corredores, não há como prever o que Finch Fodão vai fazer. Dominar o colégio, a cidade, o mundo. Será um mundo de compaixão, de amor ao próximo, de amor entre alunos ou, pelo menos, de respeito entre as pessoas. Sem julgamentos. Sem xingamentos. Nada, nada, nada disso.”

E ele encontra? Aquela imensidão azul pode ser o caminho.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O Que Aprendi Com O Amor

Na resenha de hoje vamos falar sobre o amor. Esse sentimento que nos acompanha todos os dias e foi reproduzido lindamente em verso e prosa pela autora Francélia Pereira. O livro “O que aprendi com o amor” retrata as várias faces e a forma como o amor nos atinge.


O amor sempre foi um sentimento inspirador, um sentimento que nos faz sorrir de pura felicidade, quando correspondido; e que nos joga na mais profunda tristeza, quando desprezado.

Nesse pequeno livro, que mistura verso e prosa, Francélia Pereira tenta registrar um pouco de tudo que aprendeu na companhia desse sentimento tão incompreendido por nós, o Amor!




O amor é o primeiro sentimento da nossa vida. Amamos nossa família, nossas descobertas, nossos bons momentos. Ele permanecerá conosco até o final e se manifestará de diversas formas.
Neste livro a autora representa parte daquilo que ela aprendeu com este sentimento, os erros e acertos; as partes boas e ruins. Como tudo na vida, o amor também é instável e nem sempre acaba como gostaríamos. São essas experiências que nos permitem conhecê-lo a fundo e, assim, transformá-lo em uma parte feliz do nosso dia-a-dia.

“Quem disse que os sentimentos foram feitos para serem correspondidos...”

Um livro lindo que além do seu conteúdo encantador, também conta com uma capa convidativa, diagramação maravilhosa e ilustrações fofíssimas, feitas por Tiago Calado.



A poesia foi o meu primeiro contato com a literatura. Ainda na escola, comecei lendo todas as obras disponíveis de Vinicius de Moraes. Cada nova estrofe me conquistava mais que a anterior. Depois disso conheci diversos outros poetas: Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário Quintana, Cecília Meirelles, Cora Coralina, Paulo Leminski e Luís de Camões.
Após esse período, comecei a ler romances e a poesia ficou em segundo plano. A leitura desta obra me trouxe as boas lembranças daqueles tempos e de todas as lindas linhas que apreciei.
A escrita de Francélia é encantadora, muito atual e fácil de compreender. Ela consegue colocar os sentimentos no papel com uma facilidade incrível. Nas palavras redigidas, conseguimos comparar nossas próprias experiências, além de compreender a mensagem e assimilar os bons conselhos para a vida.

“Impomos ao amor provas difíceis demais, cobramos dele tudo aquilo que não somos capazes de fazer; então cansado, humilhado e desprezado o amor desiste de nós.”

O amor é um sentimento lindo e que, de alguma forma, sempre está em nossos corações. Porém é no campo amoroso que muitas vezes não sabemos lidar com ele.

“Viver sem sentimentos
É existir, e de um jeito
Muito chato”

É algo tão inconstante e incerto. E ainda não depende apenas de nós. Muitas vezes esperamos um desfecho, mas não somos correspondidos.

“Vive-se saudade
De algo que nunca foi
E nunca será...”

A reciprocidade é uma alegria. A rejeição é um mar de tristeza. Apenas as experiências nos ajudam a fazer dele um aliado e não um inimigo.
Tudo que é extremo nos faz mal. A dependência do amor é um câncer em nossa alma, faz com que nossas opiniões fiquem distorcidas, provoca ações que não faríamos em outro contexto, incita pensamentos destrutivos que jamais deveriam nos assombrar.

“Não se iluda
Não confunda lembranças com esperança”

Bom mesmo é amar na medida certa, com calma e serenidade. Se for correspondido, ótimo! Mas e se não for? Que bom, também! Porque não se ama sozinho. E se este é o seu caso, sorte sua não perder tempo com algo sem futuro. Logo você encontrará a pessoa certa que fará seu coração disparar e seus dias se tornarem mais felizes. Assim como os dias dela serão muito mais coloridos com a sua presença.

“Sem desejo ou apego, o Amor cura, liberta... Torna-se pura Inspiração!”

Quando o verdadeiro amor é encontrado, aprendemos a conviver com defeitos e qualidades. Aprendemos que as dificuldades são mais fáceis quando são vencidas em equipe e que o gosto dos dias superados juntos é infinitamente melhor que uma vitória individual.
Vai ter lágrimas, vai ter risos; vai ter brigas e reconciliações; vai ter tristeza, mas terá alguém para segurar sua mão e afirmar que tudo vai ficar bem. E, principalmente, haverá o entendimento que o amor não é uma propriedade, não é uma imposição, nem uma necessidade. É um presente de Deus que garante que nosso coração continue sempre aquecido e habitado pelas pessoas amadas.

“Hoje sei que “morrer no outro” é trair a própria existência, é negar a si mesmo a capacidade de Ser.”

A leitura do livro me ensinou muitas coisas e me fez pensar em muitas que já tinha aprendido ao longo dos anos. A autora está de parabéns por esta obra incrível que me tocou profundamente e certamente terá o mesmo efeito em todos os leitores.
Ao final, pense naquilo que você aprendeu com o amor e use isso ao seu favor, sempre para alcançar dias mais felizes.

“O amor merece ser louvado e exaltado em todos os tempos.”





Título: O que aprendi com o amor
Autor: Francélia Pereira
Editora: Indie
Ano: 2016
Páginas: 70

sábado, 22 de outubro de 2016

Rebirth - Os novos titãs


A resenha hoje é uma aula de mitologia, os fãs dos deuses e suas culturas não podem perder esse incrível romance recheado de ação, romance e aventura. Conheçam a obra de Bianca Landim, mais uma autora nacional incrível.




Sinopse:


Quatro crianças foram postas nos caminhos imortais dos deuses do Olimpo e, delas, uma nova geração de titãs surgiu, mostrando-se incrivelmente mais poderosa que os primeiros titãs – derrotados por Zeus e seus irmãos –, e até mesmo que os próprios deuses! Missões lhes foram atribuídas e mundos imortais foram conhecidos, dando-lhes sabedoria, poderes e novos aliados. Acima de tudo isso, o amor único foi alcançado e suas origens, desvendadas, fazendo dos titãs uma nova ordem no Olimpo, com Zeus e os outros deuses, conhecidos como os Doze Olimpianos.
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“Num momento crucial dos imortais, conhecido como Titanomaquia, Zeus enfrentou e venceu seu pai, Cronos, destronando-o da regência do mundo fantástico dos imortais e tomando-o para si. Com a ajuda de seus irmãos criou o Olimpo. Muitos titãs foram aprisionados nesse novo mundo devido às suas alianças com Cronos; outros perderam seus poderes e se tornaram mortais. Poucos foram os que se aliaram aos deuses e permaneceram a salvo. Entretanto, Zeus sabia que os aprisionados um dia se revoltariam e que Cronos se beneficiaria desse momento. Para que isso não acontecesse, uma reunião com os Doze Olimpianos fora feita e nela decidiu-se algo que mudaria o mundo dos imortais para sempre.”

Quando as moiras, responsáveis por tecer o fio da vida, revelaram aos deuses que num futuro próximo Cronos retornaria em busca de vingança e que quatro crianças estavam destinadas a serem os novos titãs, sendo que apenas eles teriam poderes suficientes para combater a fúria do deus Supremo, Ártemis, Apolo, Ares e Hefesto sabiam que teriam uma missão pela frente.

Dividido em três partes, o romance de Bianca Landim nos dá uma aula sobre Mitologia! E após o final da leitura, me peguei pesquisando o que era real e o que era parte da fantástica história de criada pela autora.

A primeira parte de Rebirth, se passa Grécia, cerca de 1.200 A.C.

Dezoito anos após a revelação das moiras, somos apresentados aos novos titãs: Celes é aprendiz da deusa Ártemis, deusa da caça; Discórdia aprende todas as artimanhas da guerra com Ares; Solaris é aprendiz de Apolo e Pyro, de Hefesto.

Inevitavelmente, Celes e Solaris se apaixonam, mas o amor é algo proibido para a protegida de Ártemis, já que a castidade é regra de seu treinamento como amazona; porém, o amor que um nutre pelo outro é maior do que os obstáculos que eles sabem que precisarão enfrentar e não medirão esforços, passando por cima do que for necessário para tornar esse amor possível.

Mas a beleza da Amazona não chama a atenção apenas de Solaris, Como previsto pelas mouras, no momento certo a origem dos titãs seria conhecida, e ao descobrir a verdadeira origem de Celes, Cronos ressurge para tentar aproveitar-se do poder que a menina demonstra e fará de tudo para conseguir o que quer, pois sabe que é a oportunidade perfeita para criar um ser superior a Zeus, seu filho.

Diante do risco que Celes corre quando Cronos finalmente consegue se aproximar, Solaris desperta um poder do qual nem ele imaginava ter e em suas mãos está a chance de finalmente se livrar de Cronos.

Mas os problemas dos titãs não param por aí. Após um longo tempo, ao menos para os mortais, já que a história passa a ser contada no Cairo de 1922. Zeus, Ares e Solaris encontram-se disfarçados em meio aos mortais na busca de resolverem um mistério, após uma escavação e alguns outros acontecimentos, o elmo de Hades acabou sumindo, assim como os chamados “vasos canopos”,  dos deuses egípcios, responsáveis estes por guardarem órgãos humanos no processo de mumificação. Quando em Asgard, o martelo Mjolnir de Thor também é roubado, os titãs sabem que um desafio está em suas mãos, pois a volta de um deus há muito esquecido, que consegue evocar um poder capaz de destruir todos os deuses, ameaça o eterno descanso dos seres supremos.

Após muitas batalhas e ação e já em nosso tempo presente, somos levados à Índia do ano de 2012, onde os deuses hindus se mostram presentes. Aqui, um antigo inimigo retorna com um poder devastador e seu único desejo aniquilar todos os deuses existentes. Para isso, os titãs e os deuses de todas as mitologias se unirão para tentar combatê-lo, contando ainda com o incrível poder dos filhos de Celes e Solaris. (eu disse que esse amor era imortal, não disse?)

O que Bianca nos dá em todas as três fases de sua história é uma mistura de ação e romance da qual nunca havia presenciado em um livro. Minha falta de conhecimento sobre mitologia me sentir vontade de ler mais e mais sobre esses incríveis deuses, sendo até um pouco desnecessário, já que Bianca conseguiu apresentar o mundo e os costumes de todos eles com uma precisão enorme.

O romance nacional mais uma vez se mostra de uma qualidade incrível. A própria experiência da autora, ao conhecer os lugares nos quais o Rebirth foi ambientado, nos serve com uma viagem ao redor do mundo, proporcionando ao leitor uma das maiores alegrias que as histórias podem oferecer: viajar sem sair do lugar.

  Título: Rebirth - Os novos titãs
  Autora: Bianca Landim
  Ano: 2015 / Páginas: 366
  Editora: Talentos da Literatura Brasileira / Novo Século

Conheça a autora



Foi por meio da história, dos idiomas e das culturas estudadas que Bianca Landim concluiu a faculdade de Turismo. Os personagens deste livro surgiram em 2008, depois de uma viagem à Grécia. Ganharam retoques anos depois, quando foi a vez de o Egito ser visitado. A última etapa da jornada foi a Índia, onde viajou de trem por oito dias. Atualmente, Bianca mora com os pais no estado do Rio de Janeiro.

Acompanhe a autora nas redes sociais Skoob, Facebook e Instagram.



sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Face dos Deuses

Os habitantes de Dünya ainda sofrem os horrores deixados pela Longa Guerra. Mesmo depois de tantos anos, a mais simples ameaça de um novo desentendimento pode fazer com que alianças e pactos improváveis sejam selados. A Face dos Deuses, primeiro volume da série As Crônicas da Aurora, do autor Gleyzer Wendrew, inicia em meio a conflitos em iminência de explosão.


Sinopse: A Face dos Deuses ultrapassa a linha imaginária que delimita o campo de batalha, penetrando profundamente na carne exposta da dor e do sofrimento de quem sobreviveu à guerra… O que fazer, para onde ir e como continuar, quando todas as pessoas que você amava foram tiradas para sempre de você? 
A guerra que deixa sobreviventes, deixa também vencedores? Para ato tão bárbaro e desumano não existe vitória. Todos já perderam.
           O livro te transporta para um mundo onde apenas o sentimento de vingança queima dentro do peito e os deuses silenciosos assistem ao espetáculo da tragédia com suas faces misteriosas...


Quando Heros Kinnhäert, rei de Mäaen, decidiu ignorar as inúmeras cartas de Kazoya Vennian para ajudá-lo a encontrar o Tesouro de Venn, desaparecido há nove meses, ele não imaginava que estaria traçando o destino de sua própria família e também de seu povo.

Tarde demais, ele percebe que Kazoya faria o possível e o impossível para encontrar a isäh Soraya, sua filha, inclusive selar um acordo com o cruel general vatriano Cleyo Blo'Siänkh. Quando Cleyo informa que não somente casará a isäh com seu filho Mäthias, unindo de vez os povos que antes quase se aniquilaram na Longa Guerra, virando-se desta vez contra Maäen, caso o Kennëg se oponha, mas que também, como termo do acordo, levará para ser criado em Vatra seu filho mais novo, o O’kennëg Antau, Heros se vê novamente em uma teia de conspirações e intrigas que ao menor sinal de fracasso, poderá terminar de vez com tudo que reconstruiu após a última guerra.

Vatra, localizado no norte do continente, é um país sombrio, onde a luz de Sühnt, o deus-sol, nunca chega. Habitado por adoradores de Fyaär, deus do ódio, o país é conhecido pela grande brutalidade de seu povo, que pratica a maldade apenas por devoção a seu deus.

As três maiores Famílias de Vatra são quem governam o lugar, os vatrianos nascem com um losango na testa, denominada “dádiva de Fyaär”, ou “brilho de fogo” que queima em sua testa de acordo com suas emoções. Os vatrianos que nascem sem a dádiva são considerados infiéis.

“Após a extinção dos antigos Mestres da Pena Negra, assim eram conhecidos os membros da Família Bë’Goöf, e com o Pactos dos Três recém assinado, Blo’Siänkhs, Sh’Fäelns e K’Voöks, uniram-se e deram início a um cerco contra Entia. Após quatro anos de inúmeras tentativas fracassadas de invasão, os Fyaraänos, ao retornarem a Vatra, além de exterminarem todas as tribos de hraoös que encontraram em seu caminho, deixaram entre os dois países um tremendo rastro de crucificações. Feita de pedra, a estrada carrega apenas sofrimento e destruição.”

“Sobre Vatra: cultura e história”,  p. 327, Autor Desconhecido – Ano Desconhecido

Após a Longa Guerra, nenhum tratado de paz foi selado entre Mäaen, Venn e Vatra, e apesar desse convívio aparentemente pacífico, qualquer passo em falso nesse jogo poderá reabrir as cicatrizes de que todos ainda se recuperam.

“Mentiras, laços frágeis, falsas emoções e adagas traiçoeiras permeiam um mundo cercado de religião, política e deuses misteriosos.”

Mais uma vez me deparo com uma história na qual não sei, afinal, quem são os mocinhos e quem são os vilões. Apesar de serem claros os objetivos e feitos de cada um, Gleyzer demonstra de cada ponto de vista os motivos que fazem homens justos ou brutais procurarem vingança.

“No norte, Koran K’Voöhk é um orgulhoso guerreiro que retorna à sua cidade após o exílio que lhe foi imposto ainda garoto, e depara-se com a mais pura decadência: sua Família está em declínio; seu castelo, abandonado aos ratos; seus inimigos, ainda mais poderosos...Conseguirá ele reerguer o nome de sua Família e recuperar o prestígio que ela um dia tivera?”

Intercalando os acontecimentos ocorridos em Arthä capital de Maäen, Väll capital de Vatra, Akähm, capital de Venn e também acompanhando o trajeto de Antau, partindo de seu lar no sul, com destino a Vatra, no norte do continente, A Face dos Deuses é um livro que considerei de um tipo quase “poético”. A escrita de Gleyzer é extremamente rica e o cenário é descrito com tamanho cuidado, que um mundo complexo e muito bem construído vai se formando em nossa imaginação.

Quando terminei a leitura, perguntei ao autor se tudo isso havia mesmo existido algum tempo na história, e ao saber que não, mais uma vez me perguntei se não existem, de fato, universos paralelos onde essas histórias criadas sejam reais. Pois acho quase injusto um mundo tão bem criado existir apenas em nossa imaginação.

Sem obedecer uma ordem cronológica de acontecimentos, os capítulos são narrados tanto no presente quanto no passado, e não tenho outra palavra que resuma melhor esta história: Genial.
Tendo um apoio fortíssimo na religião, os habitantes de Dünya veneram diferentes deuses, e é simplesmente incrível a forma como suas emoções são representadas por eles.

“A fome, a miséria e o caos imperavam numa capital que já vira dias melhores e agora pensava em deitar-se sobre o declínio. O próprio Sürm parecia caminhar onipotente pela cidade e a face de Vaäth era vista no rosto das pessoas.”

Vaäth – A Obscura, deusa do medo e do desespero.
Sürm – O Incógnito, deus do caos.                            

Com inspiração em Game of Thrones e outras histórias do gênero, A Face dos Deuses é diferente de tudo que já li, um livro daqueles que terminam bem na hora “errada” e o gosto de quero mais fica entalado após o término da leitura, pois Gleyzer soube prender o leitor em um universo riquíssimo e cheio de ação.

“ A Fyaraäna dançava levemente de um lado para o outro enquanto desviava dos ataques desajeitados. Suas espadas  pararam um, dois, três golpes antes de voltarem a atacar (...) Dois metros de terra seca e poeira os separavam. A guerreira vatriana adotou sua posição de ataque e se preparou para a última dança.”

Como qualquer história digna de finais “pqp!”, A Face dos Deuses encerra sua apresentação de forma inesperada e cheia de mistérios a serem resolvidos. Entre eles, um me deixou com os nervos a flor da pele: 

"Existe um antigo ditado nähfeno que diz:  A Floresta Dokah devolve apenas os puros de coração." 

 E já sou a primeira a aguardar fervorosamente a continuação.

Já digo como aviso que não pude contar nem a metade de toda a riqueza literária que o livro proporciona, existe uma lista de personagens importantes e muito bem construídos que infelizmente ficaram de fora, assim como lugares e fatos dessa história que são relatados ao longo da narrativa. Na verdade, não é fácil fazer jus a esta obra em uma resenha. O leitor deve embarcar a fundo nessa série que veio para conquistar os amantes de um bom livro de ação e reviravoltas astuciosas.

O livro conta com um mapa para podermos nos localizar, o que adoro, já que fico olhando a todo momento onde determinado personagem está. Além disso, um Apêndice é encontrado nas últimas páginas do livro, dando significado a alguns termos da história. Os Brasões de todas as grandes Famílias também encontram-se ali e a cronologia de todos os personagens e mais importantes acontecimentos de Dünya podem ser acompanhados.


Uma obra completíssima e que merece se difundir por todos os leitores que apreciam uma obra nacional de tirar o fôlego.

Gleyzer está de parabéns pela sua escrita e merece alcançar o maior sucesso possível por onde passar, pois criou uma das histórias mais envolventes que já tive o prazer de conhecer, logo eu, que amo uma boa fantasia.


Autor: Gleyzer Wendrew
Ano: 2016 / Páginas: 180
Idioma: português 
                Editora: Kiron

Encontre mais sobre o mundo de A Face dos Deuses no site As Crônicas da Aurora


Conheça um pouco sobre o autor



Gleyzer Wendrew  nasceu no dia 19 de abril de 1992, em Brasília, cidade na qual cresceu e ainda reside. Embora formado em Administração de Empresas, curso do qual se orgulha, tem sua grande paixão na Filosofia de Nietzsche, na História Medieval europeia e asiática, e nas diversas mitologias espalhadas pelo mundo. Fã incondicional de J. R. R. Tolkien, Bernard Cornwell e George Martin, não tentaria excluir desta sua primeira obra os conhecimentos que adquiriu com os mestres da literatura fantástica. Atualmente se dedica a consolidar o universo criado enquanto escreve os outros 3 volumes da saga.